segunda-feira, 23 de abril de 2007

O sacerdote e o taxista

Numa cidadezinha morreram no mesmo dia dois homens que tinham o mesmo nome: Zé Mané. Um era sacerdote e o outro, taxista. No Céu, quando um deles se identificou, São Pedro perguntou:
– O sacerdote?
– Não, o taxista.
São Pedro consulta as suas notas e diz:
– Bom, ganhaste o paraíso. Leva esta túnica com fios de ouro e este cetro de platina com incrustações de rubis. Podes entrar.
O outro se apresenta e S. Pedro exclama:
– Ah, o sacerdote! Muito bem, meu filho, ganhaste o paraíso. Leva esta bata de linho e este cetro de ferro.
O sacerdote diz:
– Desculpe, São Pedro, mas deve haver engano. Eu sou o Zé Mané, o sacerdote! Eu conheço esse outro. Era taxista na minha cidade e era um desastre! Corria demais, subia na calçada, vivia batendo o carro e assustando as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões. E quanto a mim, passei 50 anos pregando todos os domingos na paróquia. Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu... isto?
– Não é nenhum engano – diz São Pedro. É que aqui no Céu passamos a usar a Gestão por Objetivos. Observamos que cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas rezavam. O que importa é o resultado!


Ridendo castigat mores

Essa expressão latina, que significa rindo se criticam os costumes, foi criada por Molière no século 17. Naquela época de absolutismo monárquico e perseguição religiosa, somente era possível criticar os costumes, a igreja ou os políticos através de comédias ou sátiras escritas.
Essa forma de disfarçar a crítica é antiga. Na Idade Média, onde a repressão era ainda pior, a crítica à Igreja era feita em quadros e esculturas representando padres bêbados ou em poses comprometedoras. Por ironia, mesmo nas igrejas havia tais esculturas e quadros.
Um exemplo clássico do Brasil, foi o Jornal da Tarde. Na época da ditadura, quando o governo militar censurava uma notícia, eles colavam no lugar uma receita de culinária, mesmo que fosse na primeira página. Já o Estadão substituía a notícia censurada por trechos de Os Luzíadas.
Mesmo sem repressão ou censura, o humor é uma maneira indireta de criticar os costumes. As fábulas da antigüidade e os programas humorísticos da TV atual são exemplos.
Na verdade, o bom-humor é mais que isso. É uma técnica bastante eficiente para divulgar aquilo que não se tem coragem de falar às claras ou aquilo que o interlocutor teria melindre de ouvir. Ou, simplesmente, uma maneira mais fácil de expressar um reciocínio complicado.


Comece a semana de bom-humor!

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