terça-feira, 22 de maio de 2007

Talentos e Habilidades – conclusão

Ontem falamos sobre habilidades; para completar, vamos falar de talentos.

Ao contrário do que algumas empresas professam, todas as pessoas têm talentos. Falar nos talentos da empresa referindo-se a um grupo específico de pessoas “talentosas” é errado, porque discrimina e não reflete a realidade.

Enquanto as habilidades são aplicadas a uma situação específica e podem ser transmitidas a outras pessoas, o talento é uma aptidão natural ou adquirida que não pode ser ensinado, mas pode ser aplicado a diferentes situações.

Uma pesquisa sobre os modelos de gestão de pessoas concluiu que os gerentes bem-sucedidos trabalham com os pontos fortes da equipe, ao invés de tentar corrigir ou prevenir os pontos fracos, como faz a maioria. Quem já passou por uma avaliação de desempenho entende como é isso. Os pontos fortes, no caso, são entendidos como um conjunto de talentos, habilidades e conhecimento. Então, na seleção, em vez de avaliar apenas a educação e experiência dos candidatos, os grandes gerentes procuram descobrir quais são seus talentos e como eles podem ser utilizados para o desenvolvimento da empresa.

COMO DESCOBRIR OS TALENTOS

Os selecionadores profissionais têm suas artimanhas para identificar os talentos dos candidatos, mas o objetivo aqui é como descobrir os nossos próprios talentos, para definir ou redefinir nossa carreira profissional.

Para essa descoberta é necessário observar o comportamento sem preconceitos. Às vezes o talento se esconde atrás do que julgamos um “mau hábito”. Uma criança que gosta muito de aparecer mais que as outras, é motivada pela competição, o que é um talento. Outra, que procura encontrar uma saída comum para todos os amigos do grupo, tem possivelmente o talento da empatia. A menina que não consegue ficar parada, tem que estar sempre fazendo alguma coisa, tem um talento de realização.

Quando percebemos que a pessoa “vibra” com um certo tipo de atividade – com certeza ali está escondido algum talento. Quem adora fazer quebra-cabeça pode ter o talento do pensamento lógico; mas também pode ser o da concentração.

Outra chave é descobrir o que temos facilidade para aprender. Uma pessoa com talento de comunicador possivelmente terá muita facilidade para aprender línguas. Uma pessoa que aprende música com facilidade deve ter talento de sensibilidade.

Assim como as habilidades, os talentos também precisam ser “decodificados” para fazerem sentido para a carreira. A menina que gosta muito de cozinhar não precisa necessariamente tornar-se nutricionista. Seu talento pode ser de relacionamento (quer agradar as pessoas), de pesquisa (o fogão é o seu laboratório), de iniciativa (a família toda detesta ir para a cozinha) etc.

A Parábola dos Talentos, na Bíblia, tem um significado importante nesta discussão. Para quem ainda não leu (está no Evangelho de Mateus, cap. 25, vers. 14 a 30), o resumo é este: um senhor viajou e deixou alguns talentos (moeda de valor do mundo antigo) com cada um dos seus três servidores. Os dois primeiros aplicaram o dinheiro e obtiveram algum lucro; o terceiro, por medo de perder, escondeu o talento, que nada rendeu. No retorno o senhor premiou os dois primeiros com mais talentos e ao terceiro castigou e dele retirou o talento que tinha, porque não o havia multiplicado. O sentido é esse: quanto mais usarmos os talentos que temos, mais eles se desenvolverão; ao contrário, se não forem usados, acabam se atrofiando.

Uma maneira de multiplicar os talentos é aplicando a fórmula aprender – fazer – ensinar. Mas essa já é outra história.

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