terça-feira, 29 de maio de 2007

Deming 1a. parte - O saber profundo

W. E. Deming (1900 – 1993) foi um dos principais precursores da Qualidade Total. Ele era americano e passou quase duas décadas no Japão. Sua contribuição para o reerguimento da economia japonesa foi tão grande que a União Japonesa de Ciências e Engenharia instituiu o Prêmio Deming, entregue anualmente a empresas que se destacam no campo da qualidade.
É dele a insistência sobre a necessidade de ensinar estatística a todos os trabalhadores, inclusive manuais, e de privilegiar a qualidade sobre as outras dimensões do negócio. A melhoria da qualidade, diz ele, irá automaticamente melhorar a produtividade.
De sua vasta obra resumimos abaixo dois temas que ressaltam a importância do relacionamento de Recursos Humanos com a Qualidade.


O SABER PROFUNDO

O saber profundo é um sistema de quatro partes interdependentes que dão a base para o gerenciamento moderno, conforme sumarizado nos quatorze princípios. As quatro partes são: Uma visão geral do que é um sistema; Elementos de Teoria da Variabilidade; Elementos de Teoria do Conhecimento; Elementos de Psicologia.

A. Uma visão geral do que é um sistema
Sistema é o conjunto de partes de um organismo que trabalham para a realização de um objetivo comum. Essas partes podem ser funções, órgãos, processos, estágios, pessoas, máquinas etc.
Os aspectos mais importantes do sistema são o objetivo, o interrelacionamento entre as partes e a administração do conjunto e de suas mudanças ao longo do tempo.
O sistema deve ser estável.
Deve-se buscar a otimização do sistema.

B. Elementos de Teoria da Variabilidade
Variabilidade é o estudo das variações que ocorrem num sistema.
A variação está sempre presente nas pessoas, processos, produtos etc. É preciso entender o que essa variação está querendo nos dizer.
Há causas comuns e causas específicas para a variação. Não se deve errar na consideração desses tipos e nas interpretações e conclusões a respeito. É importante compreender os dados e a interpretação que fazemos deles.
A variabilidade é útil para entender e interpretar o resultado de testes e experiências. Ela nos permite saber o que um processo é capaz de fazer. Permite também avaliar a importância das funções de cada perda no sistema todo e ter uma compreensão do dano causado pelo erro sucessivo.
Ela é vital na otimização de um sistema e na compreensão das diferenças entre as pessoas, da relação entre elas e da interação entre elas e o sistema onde atuam. A ação com boa vontade mas sem o conhecimento necessário é prejudicial à qualidade.

C. Elementos de Teoria do Conhecimento
O gerenciamento, em todas as suas formas, consiste em fazer previsões. Ele atua num sistema de causas e na mudança delas para que as coisas que irão ocorrer sejam as desejadas.
Todo planejamento exige previsões. Estas devem ser feitas a partir da história passada e do conhecimento profundo.
Todo conhecimento e toda observação devem ser baseados em alguma teoria (modelo mental que explica os eventos passados e permite uma previsão dos eventos futuros). A administração também depende de uma ou mais teorias. Experiência e exemplos – sem teoria – podem levar ao desastre.
As interpretações de dados dependem da estatística. O valor dos dados ou observações dependem do método ou procedimento de observação e coleta. Não existe fato absoluto – depende do observador.
Comunicações efetivas entre as várias partes de um sistema dependem de procedimentos operacionais.

D. Elementos de Psicologia
Cada pessoa é diferente das demais. As diferenças individuais precisam ser reconhecidas e aceitas.
A forma de aprendizagem de cada pessoa é diferente. Cada um requer uma forma diferente para aprender o que precisa.
O líder tem por obrigação implantar mudanças em direção a melhorias no sistema em que atua.
A motivação precisa ser administrada a fim de que fatores externos (desmotivadores) não interfiram com os internos (motivadores).
A implantação de mudanças precisa ser feita com base em conhecimentos básicos de Psicologia.

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