quinta-feira, 17 de maio de 2007

Desemprego e stress

Uma boa sugestão para a redução do stress é encontrar um relativo equilíbrio entre as várias necessidades da existência. Geralmente concentramos a maior parte do tempo em uma dimensão, damos alguma atenção para mais uma ou duas e esquecemos o resto. Assim é que podemos ter um executivo infartado, porque se dedicou ao lado financeiro da vida e não cuidou da saúde, um atleta ignorante, porque só cuidou do corpo, e um intelectual falido, porque se esqueceu completamente das finanças.

Como as necessidades da existência são múltiplas, esse descuido de aspectos importantes acaba gerando grande desconforto e, depois, stress.

Quando o tempo ou os recursos apertam, os primeiros itens que cortamos na escala de prioridades são a sensibilidade, o lazer e o relacionamento.

A sensibilidade em geral é tratada pela religião, mas há outras formas para os menos espiritualizados, como música, pintura, dança, escultura etc. O melhor lazer é aquele praticado em contato com a natureza, em ambientes abertos. E o relacionamento mais saudável é aquele que envolve uma certa intimidade, fora do contexto profissional e sem o temor da competição.

Quando combinamos duas ou mais dimensões numa única atividade, o benefício é maior. Exercitar os músculos numa caminhada pelo parque em companhia do cônjuge ou amigos é muito melhor do que fazer exercício na academia. Praticar a dança, o canto ou a pintura é melhor do que apenas apreciá-las no palco ou nas exposições.

Certa vez, numa palestra sobre esse assunto, um participante comentou que cuidava das finanças e deixava a espiritualidade para a esposa. Pois ele estava errado. Nada disso pode ser delegado a outra pessoa, pois é uma necessidade pessoal e não familiar ou profissional.

No caso das pessoas que estão à procura de trabalho, duas circunstâncias agravam o quadro de stress. A primeira é a cobrança dos amigos e conhecidos, geralmente velada, e da família – esta, explícita. A outra circunstância é a queda da auto-estima e o sentimento de culpa. A combinação das duas, numa verdadeira simbiose, acaba atrapalhando ainda mais o processo de procura, porque abala o emocional e reduz a exposição pessoal e a rede de contatos.

Neste ponto precisamos deixar um recado para as pessoas mais próximas de quem procura emprego: parem com isso! Seu parente ou amigo não tem culpa por estar desempregado. Há milhares de pessoas nessa condição. Cobrá-lo por um emprego só vai atrapalhar ainda mais o processo.

E o recado para quem procura trabalho é para que desenvolva um plano de ação que contemple as várias necessidades, inclusive aquelas que parecem luxo nessa condição, como o lazer e a espiritualidade. Uma forma interessante de analisar o quadro é a seguinte: quando os vários aspectos vão bem (corpo, espírito, intelecto, relacionamento, lazer), a probabilidade de melhorar o aspecto que falta (finanças) é maior. Seria pior se também houvesse problemas na área afetiva, de saúde etc.

Nenhum comentário: