terça-feira, 15 de maio de 2007

Reflexão sobre a morte

Infelizmente só pensamos na morte quando morre algum conhecido. Quando isso acontece num círculo mais próximo é possível constatar a falta de preparo que todos temos para lidar com o assunto. São dezenas de dúvidas de todos os tipos, desde aquelas bem práticas até as existenciais.

O fato é que não estamos preparados e nem queremos nos preparar. Embora a morte seja a coisa mais certa da vida, a nossa má educação nos impede de analisá-la com objetividade. Evitamos o assunto. Quando falamos dele, vêm à tona nossos preconceitos e superstições que nem sabemos evitar, porque “não é bom falar sobre isso”.Como conseqüência, ao morrer deixamos uma porção de problemas para os sobreviventes.

De um lado há os aspectos bem materiais, como o atestado de óbito, a vaga no jazigo ou a autorização para cremar, a doação de órgãos, a escolha do caixão e da roupa para vestir o defunto. Isso no dia. No dia seguinte começam as preocupações com o inventário, a senha do banco, os guardados que só o falecido conhecia etc.

O lado emocional da questão é mais sério. Como informar a mãe do falecido; quem tem o telefone do parente distante; avisamos ou não o irmão que viajou para a Europa; o pessoal do interior vai chegar a tempo; e aquele tio meio brigado, avisamos ou não – esses são exemplos de questões urgentes e aparentemente práticas que, no fundo, envolvem o emocional da família inteira.

Acima de tudo isso há os aspectos metafísicos ou religiosos. Dependendo da crença de cada um sobre a existência da alma e a vida “do lado de lá” isso pode ser mais ou menos doloroso.

O fato é que esses três aspectos se misturam na cabeça das pessoas, inclusive dos profissionais que deveriam ter melhor preparo para tratar disso, como médicos, enfermeiros, psicólogos, religiosos, advogados e outros.

Uma boa surpresa foi saber da realização do primeiro curso sobre a morte. Trata-se de “Tanatologia – 1º Curso de Educação para a Morte – Uma Abordagem Plural e Interdisciplinar”, organizado no Centro de Estudos Antonino dos Santos Rocha pelos drs. Irineu T. Velasco, Augusto Scalabrini Neto e Franklin S. Santos, professores de Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas de S. Paulo.
O curso está sendo realizado de março a julho de 2007, aos domingos, em torno de cinco módulos temáticos (Atitudes Religiosas, Atitudes Filosóficas, Atitudes Científicas, Atitudes Pedagógicas e Atitudes Estéticas), cada qual com diferentes abordagens e quatro painéis interdisciplinares: Perspectivas Histórico-Culturais da Morte, A Criança e a Morte, A Comunicação com o Paciente Moribundo e Família e Perspectivas Ético-Jurídicas da Morte.
As vagas para o curso deste ano esgotaram-se rapidamente. Podemos esperar que pelo menos os 180 participantes em breve estarão mais preparados para tratar da morte do que a grande maioria dos mortais.
Crédito: www.fm.usp.br/eventos

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