terça-feira, 22 de maio de 2007

Talentos e Habilidades

A respeito de um texto anterior (Proatividade na procura de trabalho – AlmanaqueRH, 11/05/07) foi-nos sugerido falar sobre talentos e habilidades, elementos ali citados.

Na metodologia utilizada pelo Instituto 2000 para a procura de trabalho, em todas as fases do processo destacamos a importância dos talentos e habilidades.

Habilidade é a forma como realizamos o conhecimento. O que aprendemos tem pouca importância se não soubermos utilizá-lo. No fundo, as habilidades são mais importantes do que o conhecimento.

O que confunde bastante as pessoas na procura de trabalho é que elas se prendem demais aos aspectos formais, como registro de emprego na carteira de trabalho e cursos freqüentados. Eles são importantes, sim, mas não podemos de forma alguma ignorar as habilidades que temos. Mesmo porque, muitas vezes elas não são o fruto da escola ou do trabalho.

Por outro lado, é muito mais efetivo trabalharmos com as habilidades que temos do que ficar lamentando aquelas que nos faltam. É sobre as habilidades que devemos construir nossa campanha de procura de trabalho. E se faltarem algumas habilidades, deveremos ir à procura delas, e não ficar esperando que algum milagre aconteça.

COMO DETECTAR AS HABILIDADES

Para descobrir as habilidades, um bom caminho é relacionar tudo aquilo que já fizemos; em geral nossas maiores habilidades estão por detrás das atividades que realizamos com mais facilidade. Vale tudo: esporte, música, diversão etc.

Por exemplo, o futebol pode ser visto apenas a habilidade física; mas pode envolver também o trabalho em equipe, a competitividade, a liderança de time, a elaboração de estratégias para atingir a meta (literalmente). Quem pratica a esgrima pode desenvolver habilidades de atenção e observação, de coordenação física e mental, de rapidez de decisão e ação, de estratégia individual e de enfrentamento de adversário de qualquer sexo, idade e compleição física. Essas habilidades, quando presentes, precisam ser decodificadas, isto é, transformadas em algo útil para o objetivo profissional. À empresa não interessa saber se o candidato é jogador de futebol ou esgrimista, mas sim, se tem habilidade para trabalhar de forma independente ou em grupo, ser mais concentrado ou ter a atenção mais distribuída, realizar estratégias de execução rápida ou lenta etc.

QUATRO EXEMPLOS

Vale a pena conhecer quatro casos do bom uso das habilidades para constatar como eles podem ser a ponte entre os nossos ideais e a realidade que nos cerca.

Caso 1. Uma pessoa trabalhava em Recursos Humanos numa empresa e estava fazendo faculdade na área de Humanas, mas tinha o ideal de se tornar psiquiatra. Fez um inventário dos recursos que lhe faltavam: formação em Medicina, especialização em Psiquiatria e dinheiro para estudar, pois era de família muito pobre. Se tudo corresse bem, ele poderia começar a exercer a profissão depois de uns dez anos. Por outro lado, analisou os recursos que tinha: inteligência, força de vontade e algumas habilidades para ganhar dinheiro suficiente se manter enquanto estudava. Não adiantaria ficar se lamentando pelos recursos que não tinha; focando aquilo de que dispunha, reduziu as despesas pessoais, ingressou numa faculdade gratuita e, largando o emprego fixo por causa do curso em tempo integral, começou a dar aulas particulares conforme a grade de horários da faculdade permitia. Atualmente é um renomado psiquiatra, com livros publicados.

Caso 2. Um desenhista técnico de mecânica havia dedicado muitos anos de sua vida à atividade de representação sindical na empresa em que trabalhava. Quando a unidade em que trabalhava fechou, ele percebeu que estava com uma imagem de ativista sindical e sem atualização profissional. Esses eram os recursos que pesavam negativamente para continuar na profissão que exercia. O que tinha de habilidades: capacidade de comunicação com pessoas de baixa formação escolar, boa didática e grande conhecimento do movimento sindical e da economia do país. Refletindo sobre isso, mudou drasticamente seu objetivo profissional e tornou-se professor numa grande central sindical.

Caso 3. Um jovem pretendia ingressar na indústria de auto-peças, mas só tinha tido pouca experiência profissional com registro em carteira e nada relacionado a indústria. Por outro lado, tinha algumas competências importantes: dentre outras atividades, já havia feito “bico” como servente de pedreiro, o que evidenciava sua boa capacidade física, e como ajudante numa floricultura, onde fazia arranjos, cuidava de vasos etc. Explorando essas habilidades no currículo e nas entrevistas, logo conseguiu emprego numa fábrica de bancos automotivos, onde a preparação física e a destreza manual eram importantes.

Caso 4. Um estudante de Engenharia sem qualquer atividade profissional anterior pretendia fazer estágio e não sabia nem como começar a procura; afinal, não tinha nenhuma experiência “profissional”. Explorando o que gostava de fazer (leitura de ficção científica, conserto da própria bicicleta, quebra-cabeças etc.) e em que matérias da faculdade tinha mais facilidade de aprendizagem, foi possível montar uma relação de qualificações bastante interessante. Ele foi chamado pela maioria das empresas para onde enviou o currículo e pôde escolher a que mais convinha para estagiar.

Os quatro casos citados são reais e confirmam a importância das habilidades pessoais no processo de procura de trabalho e no estabelecimento dos objetivos profissionais.

Num próximo texto falaremos do talento.

Nenhum comentário: