quarta-feira, 20 de junho de 2007

Bancos e Consumidores 2

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO), autor do projeto que isenta os bancos da aplicação do Código de Defesa do Consumidor, reconheceu que o projeto foi um equívoco e pediu sua retirada da pauta de votação. Segundo seus assessores, a retirada acontece devido à manifestação da população por cartas e e-mails contra o projeto (Folha de São Paulo).

De qualquer modo, mantemos no ar a lista de e-mails dos senadores para a manifestação dos leitores contra ou a favor de projetos tramitando no Senado.

http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp

terça-feira, 19 de junho de 2007

Bancos e Consumidores

O senador Valdir Raupp (PMDB de Roraima) apresentou projeto de lei que exclui a aplicação do Código de Defesa do Consumidor aos bancos e instituições financeiras. O projeto prevê a criação de legislação específica para a cobrança de juros, taxas e tarifas bancárias. A alegação do senador é de que o projeto visa a "proteger os consumidores, diretamente e por meio de ganhos de eficiência na economia brasileira". Na verdade parece o oposto, uma vez que vai isentar os bancos e instituições financeiras de um instrumento poderoso contra o arbítrio e a roubalheira.

Como ninguém escapa dos bancos, esse projeto afetará a todos. Quem não estiver satisfeito com a proposta do senador pode protestar mandando email para os senadores.

Veja detalhes da matéria no site WWW.idec.org.br (publicação do dia 15/06/07).

Para ir mais rápido, os emails dos senadores estão no seguinte site: http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp

Três Mitos sobre Motivação

Todo mundo entende tudo sobre motivação. Mas o que temos observado na prática das empresas é que no fundo os gestores se confundem e aplicam os conceitos de forma errada. O pior de tudo é que acham que estão certos. E vão dormir tranqüilos. O resultado é o que se vê.

Há alguns mitos, infelizmente bastante comuns, que precisam ser desfeitos. Não é nada novo, mas sentimos que é necessário comentá-los mais uma vez.

1º mito: como motivar pessoas

Na verdade, sabe-se que ninguém motiva ninguém. Porque ninguém precisa ser motivado. As pessoas já tem a sua motivação, aquilo que faz com que se mexam para suprir as suas necessidades. O papel da liderança é suprir essas necessidades o máximo possível para que os empregados não se sintam desmotivados.

2º mito: a escala de necessidades

Existe realmente uma escala de necessidades. A uma pessoa que está com fome não adianta oferecer auto-realização, interessa-lhe apenas matar a fome. Ou o inverso: a uma pessoa carente de estima, comer chocolate não vai resolver, só vai mascarar o sintoma. Todas as necessidades estão presentes o tempo todo, mas não aparecem ordenadas em estratos, como se costuma desenhar na Pirâmide de Maslow. Sua intensidade varia e é até possível compensar umas com outras, conforme a situação.

Já ouvimos empregados pedindo demissão para ganhar menos (necessidades básicas) numa outra empresa onde o ambiente é melhor (relacionamento) ou onde seu trabalho é mais valorizado (estima). Ou até indo para o funcionalismo público em busca de estabilidade (segurança!), mesmo com condições básicas inferiores e um relacionamento social suspeito.

Os gestores não devem empacar no primeiro estrato, esperando satisfazer de alguma forma as principais necessidades básicas para depois, somente depois, seguir em frente. Trabalhar com os vários grupos simultaneamente vai trazer resultados melhores no clima de trabalho e na retenção de empregados.

3º mito: o papel da empresa na satisfação das necessidades

Uma visão estreita pode nos levar a entender que apenas algumas necessidades devem ser satisfeitas na empresa; os defensores dessa política entendem que as empresas nem têm condições de satisfazer a todas as necessidades e que muitas delas não têm nenhuma relação direta com o objeto da organização. “Aqui não é um clube de campo” – argumentam.

Já os gestores mais espertos entendem que quanto mais satisfizerem as necessidades dentro da empresa, menos os empregados terão necessidade de recorrer a organizações externas para isso. Um exemplo sintomático é a transferência de um grande potencial de liderança da empresa para o sindicato dos trabalhadores. Os empregados que não conseguem realizar seu potencial dentro da empresa, acabam flertando, namorando e casando com o sindicato. Isso pode ser extremamente grave numa situação de confronto entre as duas entidades.

Ficam aí os comentários como sugestão para debate.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Ilusão de Óptica 10 - Perspectiva maluca


Onde está o piso, onde está o teto? Mais uma ilusão de óptica para intrigar. Clique duas vezes sobre a imagem para ampliar.

Diversidade: Imigração Japonesa no Brasil




No dia 18 de junho de 1908 aportou em Santos o vapor Kasato-Maru com a primeira leva organizada de trabalhadores vindos do Japão. Eram 165 famílias que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Foi o início da imigração japonesa no Brasil.

Essa movimentação foi o resultado de acordo entre o Brasil, que precisava de mão-de-obra, e o Japão, que vivia na época uma crise demográfica.

Hoje a população japonesa no Brasil é estimada em mais de 1.500.000 pessoas, sendo considerada a maior população nipônica fora do Japão. Apenas 12% desse total nasceram no Japão; o resto é constituído de filhos (nissei), netos (sansei), bisnetos (yonsei) e por aí afora. Nikkei é a expressão mais utilizada para designar os japoneses e seus descendentes.

No processo migratório houve muitos problemas políticos e sociais, mas o resultado é o que se vê hoje: uma grande integração entre os dois povos, a miscigenação das etnias (descendentes de japoneses com descendentes de outros grupos, como europeus, africanos e índios). Há também, desde a década de 90, uma migração inversa bastante intensa: brasileiros descendentes de japoneses indo trabalhar no Japão, pela falta de mão-de-obra na indústria. São os dekasseguis, motivados para emigrar pelos problemas econômicos que afetaram o Brasil nas últimas décadas do século passado. As estimativas indicam que há cerca de 270 mil brasileiros vivendo atualmente no Japão.

A imigração japonesa no Brasil é um excelente exemplo de diversidade cultural e social. A despeito de todos os preconceitos e tentativas de isolamento, a integração se deu nos dois sentidos, com os descendentes de japoneses incorporando costumes e tradições brasileiras e brasileiros descendentes de outras etnias adotando muitos traços da cultura japonesa.

Também na cultura empresarial é muito forte a influência vinda do Japão, principalmente nos processos de qualidade e produtividade de manufatura. Boa parte desses processos foram introduzidos no Japão por um americano (Edward Deming), sendo ali aperfeiçoados e irradiados para o mundo todo.

No próximo ano espera-se uma grande comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.

domingo, 17 de junho de 2007

Hotel Cinco Estrelas

1. CARA ARRUMADEIRA,
Por favor não deixe mais estes sabonetinhos no quarto porque eles me atrapalham. Eu trouxe meu próprio sabonete de tamanho normal. Por favor retire os 6 sabonetes que estão na prateleira do armário do banheiro e os 3 que estão no box. Obrigado. – Sr. Solemar


2. CARO HÓSPEDE,

Eu não sou a arrumadeira oficial. Ela volta da folga amanhã. Retirei os 3 sabonetes do box e coloquei no suporte de lenços de papel os 6 que estavam na prateleira. Então deixei apenas os 3 de hoje, conforme ordem da gerência. Espero ter resolvido. – Cátia, Arrumadeira substituta


3. CARA ARRUMADEIRA (espero que seja a arrumadeira oficial) ,

Acho que a Cátia não conversou com você sobre o meu problema com os sabonetes. Quando cheguei ao quarto hoje encontrei mais 3 na prateleira do armário. Como vou ficar no hotel duas semanas, trouxe meu sabonete de tamanho normal. Então não quero os 6 mini-sabonetes na prateleira porque eles atrapalham o uso a pia. Por favor, retire-os. – Sr. Solemar


4. CARO SR. SOLEMAR,

Estive de folga na quarta-feira. Minha substituta deixou os 3 sabonetes conforme ordem da gerência. Eu tirei os 6 da prateleira e coloquei na saboneteira do box. O que estava no box, botei dentro do armário, para sua comodidade. Não retirei os 3 sabonetes que são colocados no armário quando um novo hóspede se registra, pois o senhor não mencionou isso quando se registrou na segunda-feira. Por favor, me avise se eu puder ajudar em mais alguma coisa. – Bete


5. CARO SR. SOLEMAR,

O sub-gerente, Sr. Eduardo, comunicou-me esta manhã que o senhor está insatisfeito com o serviço de arrumadeira. Designei uma nova funcionária para seu apartamento. Por favor aceite minhas desculpas pelo transtorno. Se tiver alguma outra reclamação, por favor entre em contato comigo das 8 às 17h30, no ramal 1108, que cuidarei pessoalmente do assunto. – Elaine Carmen – governanta


6. CARA SRTA. CARMEN,

Para mim é impossível entrar em contato com a senhorita, pois saio às 7:30 e não volto antes das 18:30. Por isso pedi que o Sr. Eduardo desse um jeito nos sabonetes. A nova arrumadeira pensou que eu era um novo hóspede e deixou 3 sabonetes dentro do armário, além dos 3 que são colocados diariamente na prateleira. Em apenas 5 dias, já tenho 24 sabonetes. Por que vocês estão fazendo isso comigo??? – Sr. Solemar


7. CARO SR. SOLEMAR,

A arrumadeira recebeu instruções para não mais entregar os sabonetes e retirar todos os que estiverem no seu quarto. Se eu puder ajudar em algo mais, estarei disponível das 8 da manhã às 17:30, no ramal 1108. – Elaine Carmen – governanta


8. CARO SR. EDUARDO,

Todos os sabonetes foram removidos do quarto, inclusive o meu, de tamanho normal. Quando cheguei ontem à noite, tive que chamar o serviço de quarto para pedir mini-sabonetes. – Sr. Solemar


9. CARO SR. SOLEMAR,

Informei à nossa governanta, Elaine Carmen, sobre o seu problema com os sabonetes. Não consigo entender por que não há sabonetes no quarto, pois as arrumadeiras são orientadas para deixar 3 unidades toda vez que fazem a arrumação. Esta situação será reparada imediatamente. Desculpe-nos pelo transtorno. – Eduardo Alves, sub-gerente


10. CARA SRTA. CARMEN,

Quem teve a maldita iniciativa de deixar 54 mini-sabonetes no meu quarto??? Eu não quero. Eu quero de volta meu maldito sabonete de tamanho normal! É só isso. Por favor devolva-o. – Sr. Solemar


11. CARO SR. SOLEMAR,

Como o senhor tinha se queixado que tinha sabonete demais no seu quarto, mandei retirar. Como depois o senhor reclamou com o Sr. Eduardo que os sabonetes haviam sumido, eu devolvi pessoalmente os 24 que tinham sido retirados e mais os 3 diários. A Cátia, que não sabia disso, colocou mais 27. Pelo padrão do hotel lamentamos não poder fornecer sabonetes de tamanho normal, conforme o senhor está solicitando. – Elaine Carmen - governanta


12. CARA SRTA. CARMEN,

Apenas um bilhete para atualizá-la quanto ao inventário dos sabonetes:
Na prateleira embaixo do armário – 18 (em quatro pilhas de 4 e uma pilha de 2);
Dentro do armário – 14 (em três pilhas de 4 e uma pilha de 2);
No suporte de lenços de papel – 11 (em duas pilhas de 4 e uma pilha de 3);
No guarda-roupa – 15 (em uma pilha de 3 e três pilhas de 4);
Na saboneteira do box – 6 (já se desfazendo com a umidade);
Do lado direito da banheira – 1 (ligeiramente usado);
Do lado esquerdo da banheira – 6 (em duas pilhas de 3);
Total geral – 71 sabonetes

Por favor, peça à Cátia que mantenha as pilhas de sabonetes arrumadas e limpas. Avise que pilhas de mais de 4 sabonetes podem ficar instáveis. O mármore da janela também pode ser usado para futuras pilhas. Mais uma coisa: comprei outro sabonete de tamanho normal, que guardo no cofre para evitar futuros desentendimentos. – Sr. Solemar



SATISFAÇÃO DO CLIENTE


Nem sempre é difícil satisfazer o cliente. Muitas vezes é suficiente escutá-lo. Sempre é preferível conversar olhos nos olhos para entender o que ele quer.


Esteja sempre de bom-humor!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Você sabe o que é isto?

(Clique duas vezes para ampliar)

Aceleração do Tempo - V

Não vamos perder o rumo da conversa. Nosso objetivo era entender por que o tempo parece mais acelerado. E como podemos aproveitá-lo melhor.

Nós fomos formados pela empresa moderna e pelas escolas profissionalizantes onde o resultado e a produtividade são os deuses mais importantes. Tudo o que fazemos na empresa e na escola precisa ter um objetivo racional e aceitável pela comunidade. Se não, provavelmente vamos ouvir: “por que você quer fazer isso?”, “o que eu ganho com isso?”, “para que serve essa geringonça?”, “e se não fizermos isso, vai acontecer um desastre?”.

Por outro lado, temos que ter a maior eficiência possível, para não corrermos o risco de ouvir das pessoas coisas como: “você já analisou a relação custo-benefício disso?”, “vamos tentar fazer mais barato”, “cortando esta e aquela parte da peça não dá para economizar uma cabeça?”. A própria terminologia utilizada transforma tudo em conceitos de utilidade: cabeças, mão-de-obra, custo-benefício, caro-barato etc.

Agora imaginem um artesão da Idade Média construindo uma cadeira cheia de entalhes, desenhos, bem artística. Ou um monge copiando um livro cheio de iluminuras e caligrafia caprichada. Com certeza eles valorizavam outros aspectos da vida para trabalhar daquele jeito. É claro que naquela época também se tentava evitar o desperdício de tempo e custo, mas as pessoas levavam em conta outros elementos. Ou seja, nem sempre foi como é agora. Melhor dizendo: apenas nos últimos cem anos é que o mundo entrou no binômio resultado-produtividade. Indo mais longe: se não foi sempre assim, precisará ser assim a partir de agora e para sempre?

Com certeza não, mas essa é uma discussão que precisa ser feita mais adiante, num outro tema.

Agora, se esses valores ficassem restritos às empresas, tudo bem. O problema é que nós ficamos tão condicionados por esses aspectos que os trazemos para a nossa vida pessoal. Isso, sim, faz parte desta discussão, porque afeta a qualidade de vida.

Será que vocês já se pegaram dizendo, num passeio com a família: “Vamos cortar caminho por aqui, que é mais rápido”? Ou: “Amanhã vamos acordar bem cedo para aproveitar mais o dia na praia”. Ou ainda: “Com essa chuva não dá pra fazer nada no fim de semana”.

A produtividade e busca de resultados impregnaram-se em nós de tal forma que, num passeio pela Europa, vamos ficar felizes se pudermos conhecer oito países em duas ou semanas, tirando dezenas de fotos para depois poder mostrar vaidosamente aos amigos. Aliás, a documentação da viagem é talvez o resultado socialmente aceitável para quem viaja dessa maneira.

Nós costumamos fazer compras pela internet para não ter que caminhar até a loja – e depois vamos exercitar os músculos na academia duas vezes por semana. Andamos de carro para qualquer lugar, porque é mais rápido e seguro – e depois vamos fazer caminhada ou corrida porque é saudável.

Parece evidente que, com essas prioridades, outros aspectos importantes da vida de perdem. Se alguém disser que pretende estudar Filosofia ou Polonês apenas porque gosta, vamos olhá-lo atravessado e, se tivermos alguma liberdade, vamos questioná-lo sobre o resultado prático que ele espera daquilo.


Juntando tudo o que foi comentado – e isso é apenas uma parte do assunto – podemos concluir que esticar ou encolher o tempo não vai resolver a qualidade ruim da nossa vida. Precisamos é viver cada momento com a satisfação de estarmos fazendo algo que realmente valha a pena para nós. E aqui não há regra, cada pessoa vai saber com certeza o que vale a pena para si.

Saint-Exupéry, no livro que até as candidatas a concurso de beleza lêem, disse: “Eu (...), se tivesse cinqüenta e três minutos para gastar, iria caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte...". Leiam/releiam o livro todo que vale a pena. Está na internet (http://opequenoprincipe.50webs.org).

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Aceleração do Tempo - IV

Uma outra visão interessante sobre o aproveitamento do tempo é dada pelos estudiosos de Análise Transacional.

A Análise Transacional é uma forma de popularizar conceitos importantes da Psicologia através de um conjunto de técnicas aplicáveis à vida prática por qualquer pessoa. Uma dessas técnicas é a estruturação do tempo.

Tudo parte da mesma idéia: o tempo é muito curto, portanto temos que decidir a cada momento o que vamos fazer na hora seguinte para aproveitá-lo bem. Parece que as crianças não têm esse tipo de preocupação, porque vão vivendo cada minuto da maneira mais divertida que conseguem. Já os adultos estão sempre diante de dúvidas como “devo assistir ao filme da seção noturna e amanhã ficar com sono no trabalho?” ou “o que eu posso fazer no sábado à noite para realmente me divertir?”

Numa tentativa de compreensão desses impasses, a Análise Transacional elencou seis tipos de experiências que se traduzem nos tipos correspondentes de aproveitamento do tempo: retração, ritual, atividade, passatempo, jogo e intimidade.

A RETRAÇÃO acontece quando nos voltamos para dentro de nós mesmos, seja num pensamento de preocupação, numa fantasia sobre como seria bom estar na praia ou na lembrança de um encontro agradável. Podemos estar no trabalho, num almoço de negócios ou em qualquer outro ambiente social, mas nesse momento estamos retraídos, sem comunicação com as outras pessoas. É uma maneira inofensiva de passar o tempo mas a pessoa retraída perde a oportunidade de transacionar com quem está por perto.

O RITUAL é o uso de fórmulas socialmente aceitas de convívio sem envolvimento. Pode ser até agradável, mas as pessoas não se aproximam umas das outras, permanecem separadas. Exemplos de rituais são as boas-vindas, os coquetéis, o abraço dos políticos, os cumprimentos de aniversário e a festa de Natal. O beijo de boa-noite de alguns casais pode ser um simples ritual, se for feito como algo programado e mecânico.

A ATIVIDADE inclui lavar o carro, escrever uma carta, resolver um quebra-cabeça, fazer uma reunião de negócios, ir ao supermercado ou estudar para as provas. Muitas vezes as atividades trazem satisfação para a pessoa, seja pelo momento, como ler um livro, ou como preparação para o futuro, como fazer um bom trabalho para ter o elogio do chefe. Como elas não exigem o contato íntimo, muitas vezes são utilizadas como fuga para evitá-lo, como no caso da pessoa que trabalha até tarde para não ter que ficar muito tempo com a família ou aquela que se justifica dizendo que precisa ganhar dinheiro em vez de fazer amigos.

O PASSATEMPO é exatamente isso: uma forma de passar o tempo, deixá-lo escoar de uma maneira que parece agradável. Acontece por exemplo, no elevador, falando com os outros passageiros sobre o tempo ou criticando a demora do porteiro, até desembarcar. Pode ser uma forma de evitar sentimentos de culpa, desespero ou intimidade “até que se conheça melhor a pessoa”, “até a hora de dormir”, “até as próximas férias”, “até que eu fique bom...” Temas comuns de conversas de passatempo: falar sobre moda, modelos de carro, tamanho da fila do banco, preços, como acender a churrasqueira, em quem você votou etc. O passatempo pode ser útil em certas circunstâncias, mas o relacionamento não progride além disso, e as pessoas continuam separadas e sentindo tédio e desespero.

OS JOGOS são a pior forma de estruturar o tempo. Na Análise Transacional, jogo não tem nada a ver com esporte ou diversão. Ao contrário. Trata-se de um conjunto de transações entre duas ou mais pessoas que progridem até um fim esperado e definido. Há sempre uma motivação oculta, uma aparência aceita e um truque no final. Formas básicas de jogo são “o meu é melhor do que o seu” ou “por que isso sempre me acontece?” A motivação das pessoas que praticam os jogos é negativa: é melhor ter um estímulo negativo do que não ter nenhum. Então elas seguem o script até que o interlocutor se canse, dê uma resposta atravessada ou se afaste. É quando o jogo chega ao fim, com o sentimento de que “eu sabia, ninguém gosta mesmo de mim”. O jogo é útil porque mantém a privacidade de quem joga, pois preserva o afastamento dando a impressão de que as pessoas procuraram se aproximar.

A INTIMIDADE se baseia na aceitação das pessoas da forma como elas são. É a ausência do medo que possibilita essa percepção da outra pessoa sem necessidade de retração, jogo, ritual, passatempo ou atividade. Não é preciso estruturar defensivamente o tempo. Também não é necessário destruir-se ou destruir o outro como nos jogos. Quando estamos numa relação de intimidade vivemos o presente e não estamos preocupados em fazer o tempo passar. Podemos fazer planos, mas não gastamos tempo sonhando sozinhos. Mostramo-nos como somos, sem necessidade de fingir, e aceitamos as outras pessoas como são.

Em resumo, os jogos geralmente são destrutivos e a retração, a atividade, ritual e passatempo podem e devem ser utilizados vez ou outra. Nas palavras de Thomas Harris (*): “A retração pode ser um modo tranqüilo e restaurador de solitária contemplação. Os passatempos podem ser uma forma agradável de conviver socialmente. Os rituais podem ser divertidos (...) porque repetem inúmeras vezes momentos de alegria que podem ser antecipados, com os quais se pode seguramente contar e que podem ser rememorados. As atividades, que incluem o trabalho, não são apenas necessidades da vida, mas são gratificantes pelo que representam em si, permitindo que através delas se expressem inúmeras habilidades e talentos (...) A atividade em si não é destrutiva, a menos que a compulsão de estar ocupado seja na verdade a compulsão de estar separado”.

Já a intimidade pode ser praticada a todo momento, desde que não haja jogos, as pessoas tenham uma personalidade madura e aceitem a posição “eu sou ok – você é ok”.

(*) Thomas Harris, As Relações do Bem-Estar Pessoal, Círculo do Livro S.A., 1969, p. 159/160.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ilusão de Óptica 8 - Escher - Largo - Estreito

Vejam bem mais essa ilusão de óptica de Escher: o andar de cima e o andar de baixo possuem larguras e comprimentos incompatíveis. Clique duas vezes sobre a figura para ampliar.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Aceleração do Tempo - III

Quem já esteve preso na solitária relata que perdeu literalmente a noção de tempo. Isso acontece porque, para cada um de nós, o tempo é medido pelas informações externas. O relógio, o sol, o calendário na parede, os horríveis programas de televisão de final de semana – tudo isso fornece uma referência sobre o passar do tempo.

Também há a referência interna, medida pelo nosso metabolismo, pela hora de ir dormir, pelo horário do almoço. Pois não é que sentimos fome, sono e outras necessidades fisiológicas de certa forma regularmente? Até os batimentos cardíacos e o ritmo respiratório são regulares e podem nos dar pistas do tempo transcorrido. Mas mesmo na fisiologia pode haver um desvio. Alguns criadores de aves conseguem aumentar em grande escala a produtividade das suas granjas criando condições artificiais, como a iluminação de 18 horas a cada dia. Ou seja, mesmo o “relógio interno” pode ser afetado por fatores externos.

Sabemos que o nosso cérebro joga para o subconsciente tudo aquilo que se repete, para poupar-lhe esforço e permitir que se dedique a informações novas. Assim é que dirigimos sem observar o trajeto de casa para o trabalho, porque já conhecemos tudo. Mas se estivermos viajando por um roteiro desconhecido, a parte consciente do nosso cérebro vai estar atenta. Depois da quarta ou quinta viagem para o mesmo lugar, talvez ele jogue também essa informação para o “piloto automático”.

Como resultado, não temos consciência de muita coisa que fazemos durante o dia, porque agimos automaticamente, sem prestar atenção. E no final do dia dá aquele sentimento de que mais um dia se passou e não fizemos nada.

Há uma corrente psicológica que parte desse princípio e recomenda que se fuja da rotina e se façam sempre coisas novas para eliminar esse sentimento. A simples troca de relógio do pulso esquerdo para o direito mexe com o nosso cérebro, deixando o lado racional de lado. Mas é necessário fazer mais do que isso para fugir a rotina. Por exemplo, conhecer pessoas e lugares novos, tentar novas formas de convívio com a família, aprender música, mecânica de autos ou mais uma língua, vestir-se de uma nova maneira, experimentar fazer o que nunca ousou antes etc.

Quando essas atividades novas envolvem aspectos não-racionais, como artes, música, criatividade etc., melhor ainda, porque passam a utilizar principalmente o lado direito do cérebro.

Manter o cérebro ocupado com necessidades novas e desafiadoras – e sobretudo agradáveis – é interessante não apenas para não ter o sentimento de tempo perdido. É também uma forte recomendação dos geriatras para evitar doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer.

Revisão na taxa de acidente do trabalho

Finalmente o governo marcou data para entrar em vigor o novo procedimento para taxação das empresas por acidente e doenças do trabalho.

Notícia da Folha de S. Paulo de hoje indica que a nova tarifação entrará em vigor em 1º de janeiro de 2008.

As novas regras diferem totalmente das atuais. No presente as empresas são classificadas por risco e o SAT (Seguro de Acidente de Trabalho) é pago conforme essa tabela, que geralmente vai de 1% a 3% (há casos superiores, para empresas de risco altíssimo). Embora a tabela tenha sido feita com base em estudos técnicos e referências internacionais, ela não guarda muita relação com a realidade das empresas. Assim é que, hoje, uma montadora de automóveis paga o SAT de 2% sobre a folha de pagamento e os bancos pagam 1%.

O INSS realizou estudos estatísticos na base de dados de maio de 2004 a dezembro de 2006 e elaborou o FAP – Fator Acidentário de Prevenção. O FAP classifica as atividades em categorias que equivalem a 1%, 2% ou 3%, levando em conta os registros do INSS sobre atendimentos de segurados feitos pela instituição. Assim, ter ou não ter emitido o CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho – de nada vale, pois o que conta é o atendimento real pelos médicos do INSS, em termos de quantidade, duração e gastos com os tratamentos. Dessa forma, os bancos podem ser taxados a 3%, tendo em vista a freqüência e gravidade dos casos de DORT/LER e de doenças psiquiátricas, algo impensado na elaboração da tabela antiga, enquanto as montadoras poderão ter uma taxa menor.

Além disso, dentro de cada categoria, as empresas também poderão ser premiadas com descontos de até 50% ou oneradas com a dobra, de tal sorte que, na prática, a taxação pode ir de 0,5% a 6%.

Nesse sentido, valerá a pena investir na prevenção de acidentes e doenças profissionais. No ano passado, segundo a matéria da Folha, a arrecadação do SAT foi de R$ 5 bilhões. O governo diz que a nova tarifação não tem o objetivo de onerar as empresas, mas sabemos que os esforços estão sendo feitos para reduzir o déficit da previdência, portanto...

Até o próximo dia 4 de julho as empresas podem consultar o Dataprev, verificar sua classificação e recorrer, caso encontrem erros nos cálculos.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Aceleração do Tempo - II

Uma tese interessante sobre o assunto vem dos físicos e astrofísicos. Em resumo diz o seguinte:

Desde a década de ’70 a Terra está girando mais velozmente em torno do seu eixo. Portanto o dia, que é medido pela rotação do Sol, está passando mais rápido. E as partículas subatômicas estão vibrando numa freqüência maior.

Nesse sentido, a rotação da Terra estaria sujeita a uma velocidade uniformemente acelerada, isto é, iria cada vez mais rápido. Hoje o dia, em vez de 24 horas, teria cerca de 12 ou 13 horas – isto se pudéssemos ter um padrão absoluto de medição.

Mas os padrões de medição são relativos. O Sol continua nascendo a cada manhã e, como a aceleração ocorre em frações muito pequenas, não sentimos nada. Quer dizer, temos a sensação de que as coisas estão indo rápido demais, mas atribuímos isso à agitação do mundo moderno e esquecemos o assunto.

Bem, mas tem o relógio! Esse não nos engana, e continua marcando seu tique-taque a cada 12 horas, sem erro.

Os relógios mecânicos funcionam com um sistema de balanço – se forem de pulso – ou de pêndulo, no caso de relógios de parede. Os dois sistemas estão sujeitos à força de gravidade. Ora, se a velocidade de rotação da Terra está aumentando, então a gravidade está diminuindo e, portanto, adequando o balanço ou o pêndulo ao nível correspondente. Para reforçar a tese de que o mecanismo do relógio não possui um rigor absoluto, os físicos lembram que um relógio fabricado na Suíça precisa ser regulado para funcionar adequadamente na região equatorial, onde a gravidade é ligeiramente menor.

Se quisermos argumentar com base num relógio eletrônico ou atômico, teremos que lembrar que eles são construídos de materiais que também se alteram com a aceleração das partículas subatômicas, seja cristal de quartzo ou uma pedra de césio.

A tese da expansão do Universo também é invocada para confirmar essa tese, como. De acordo com ela, o Universo se expande (como se fosse uma bexiga de ar em que sopramos e concluímos que os desenhos na sua superfície também se “esticam”). Tomando como exemplo uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro, percorremos os 400 km em quatro horas, numa velocidade média de 100 km/h). Mas se o Universo se expande, essa distância fica maior, portanto teríamos que andar a 110 km/h para cobri-la em quatro hora. Só que nada disso seria perceptível, pois todos os instrumentos de medição (a trena, o relógio, o teodolito) também se modificariam no mesmo sentido e proporção.

Até a Teoria da Relatividade de Einstein é lembrada na argumentação. Segundo ela, no Universo tudo é relativo e depende do referencial. Se aumentamos a velocidade (em direção à velocidade da luz), o tempo vai “encolhendo”. Ou, para nós, que nada entendemos de física, talvez caiba melhor a Viagem ao Mundo em 80 Dias, do Júlio Verne. Caminhando por terra e mar em direção ao Leste, Phileas Fogg e Passepartout passam por diversas peripécias e gastam 81 dias no total. Mas para os amigos que haviam ficado na Inglaterra, haviam passado somente 80 dias.

Dá para entender? Dá, mas não resolve o problema da falta de tempo. Precisamos investigar outros caminhos.

Ilusão de Óptica 7 - Efígie e S. Jorge

Nova ilusão de óptica. Uma efígie ou São Jorge e o dragão?

domingo, 10 de junho de 2007

O ateu e o urso

Um ateu estava passeando pelo bosque, admirando tudo o que aquele "acidente da evolução" havia criado. "Que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais!", lá ia ele dizendo consigo próprio. De repente ouviu um ruí­do. Virou-se e viu um enorme urso vindo em sua direção.

Disparou a correr o mais rápido que podia. Olhando para trás, reparou que o urso estava muito próximo e aumentou a velocidade. Olhou, de novo, e o urso estava mais perto ainda. O coração batia freneticamente. Ao tentar correr mais ainda, tropeçou e caiu, rolando no chão. Tentou levantar-se, mas o urso já estava em cima, ameaçando pegá-lo com as patas. Então o ateu clamou:

– Oh, meu Deus!

O tempo parou. O urso ficou sem ação. O bosque mergulhou em silêncio. Até o rio parou de correr. Do céu surgiu uma luz muito forte e através dela uma voz disse:

–Tu sempre negaste a Minha existência, ensinaste a outros que Eu não existia e reduziste a criação a um acidente cósmico. Esperas que Eu te ajude a sair desse apuro? Tu agora tens fé em Mim?

O ateu olhou diretamente para a luz, pensou rápido e disse:

– Seria hipócrita da minha parte pedir que, de repente, Vós passásseis a me tratar como um cristão... Mas, talvez, possais tornar o urso um cristão?!

– Muito bem – disse a voz.

A luz foi embora, o rio voltou a correr e os sons da floresta voltaram. Então o urso recolheu as patas, abaixou a cabeça e falou pausadamente:

– Senhor, abençoai este alimento que vou comer agora. Amém.



COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL


Entre duas pessoas sempre existem características comuns e características diferentes. Parece que de pirraça, mesmo, costumamos nos fixar apenas nas diferenças e não nos pontos comuns. Esta última forma tornaria a comunicação muito mais fácil.

Outro vício da comunicação é a fixação em papéis específicos. Um é o chefe, o outro é o subordinado. Sabemos que todas as pessoas vivem vários papéis – de irmão, sogro, motorista, vizinho, comprador, empregado. Quando nos relacionamos com os outros, assumimos o status de um desses papéis e passamos a tratar a outra pessoa no papel que lhe é complementar. Assim, se eu tratar meu filho como companheiro assistindo a um jogo, ele vai também se comportar como companheiro; e se ele estiver me ensinando como funciona o programa de computador, vamos vivenciar papéis de aluno e professor. Como um desses papéis é predominante, costumamos fixar o relacionamento nesse papel, esquecendo os demais. Por exemplo, se encontrarmos o chefe na praia no domingo, poderemos ter dificuldade de tratá-lo como um simples banhista, pois o que estamos vendo não combina com os papéis em que usualmente nos relacionamos no resto da semana.

Uma terceira dificuldade no relacionamento é a abertura de nós mesmos. Tendemos a manter uma aparência aceitável para esconder o que realmente sentimos. Ainda no exemplo do chefe-subordinado: por auto-proteção não costumamos deixá-lo perceber que não entendemos de um certo assunto ou que temos medo de enfrentar uma situação; e ele, por comodismo, faz de conta que acredita. No final, a pessoa que fingimos ser é que se relaciona com a outra pessoa. No fundo dessa questão está o dilema da dominação: tememos que, se dermos abertura, a outra pessoa nos dominará no relacionamento. Para evitar isso, fugimos da relação. O resultado é fácil prever.

A fábula do urso trata disso: poderíamos evitar muitos problemas através de um relacionamento adequado, independentemente das nossas crenças pessoais.


Esteja sempre de bom-humor!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Aceleração do Tempo - I

O tempo voa, não é mesmo? Acabamos de celebrar o Natal e Ano Novo, e já vieram o Carnaval e a Páscoa. Aliás, já estamos nas festas juninas e logo mais vai ser Natal novamente.

Quando éramos crianças, os marcos eram esses mesmos, além dos aniversários dos parentes e das férias escolares. A demora entre um e outro era muito grande, o tempo custava a passar. Agora voa – como pode?

Pretendemos discutir algumas abordagens sobre esse assunto numa pequena série de comentários, a partir de hoje. O tempo tem tudo a ver com a qualidade de vida.

O TEMPO SOCIAL

Existe uma corrente de humanistas defendendo a posição de que a duração do tempo depende da idade cronológica do observador. Como no exemplo citado acima: para uma criança de dez anos o tempo escoa muito mais lentamente do que para uma pessoa de 60.

A base conceitual para isso seria a expectativa de vida das pessoas. Assim, para a criança, cada dia é uma fração insignificante do tempo que tem pela frente. Ela não conhece as estatísticas e projeções sobre isso, apenas sente. Já um idoso, fazendo as contas talvez um pouco mais conscientemente, conclui que cada dia é um pedaço enorme do tempo de vida que lhe resta = e dali a pouco essa fração já está maior, porque o tempo continua correndo.

Ainda dentro desse relativismo psicossocial, é bom lembrar que as coisas à nossa volta agora andam mais rapidamente. Há trinta, quarenta anos, tudo era mais lento. Para ir de um lugar a outro, demorava-se mais. As notícias vinham mais devagar. Não havia tanta refeição preparada no mercado e nem leite longa vida. No trabalho usava-se calculadora e máquina de datilografia. As cópias eram com papel carbono; se fossem mais de cinco, era necessário preparar uma matriz para impressão. Os erros de digitação tinham que ser consertados com uma borracha especial, estilete ou tinta incolor.

Bem, se tudo se acelerou à minha volta, devo concluir que cada dia rende mais, posso trabalhar menos e ter mais tempo para o lazer, não é mesmo?

Mas não é o que sentimos. A nossa idade cronológica aumenta no mesmo sentido que a velocidade do mundo externo. Podemos fazer tudo com mais eficiência, mas sobra cada vez menos tempo para o sono e lazer.

Então temos que procurar entender o problema de outra maneira. Ou de outras maneiras, pois há muita controvérsia.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Para consolidar uma rede de relacionamento

Num artigo sobre mentoring, Adele Scheele dá algumas dicas interessantes para as pessoas que estão assumindo para cargos de liderança. Na verdade, essas dicas valem para todas as situações em que você precisa começar a desenvolver uma rede de relacionamento.


1. Inicie um arquivo das pessoas cujo trabalho você admira. Procure conhecer alguns deles.

2. Torne-se participante ativo em um ou dois grupos – profissionais, cívicos ou de voluntariado – que tratem de assuntos em que esteja interessado. Envolva-se. Assuma um papel de liderança num comitê ou grupo de trabalho.

3. Faça um esforço especial para construir relações com pessoas bem sucedidas no seu campo. Aprenda suas “histórias de guerra” e estratégias para superar obstáculos e seguir adiante.

4. Programe reuniões de café da manhã ou almoço com alguns colegas. Tente torná-los um evento mensal, onde você possa discutir assuntos pessoais e de carreira.

5. Solidifique seu relacionamento através de entretenimento regular. Celebre feriados, aniversários e promoções com os colegas, pares e superiores.

6. Demonstre sua admiração pelos talentos de seus amigos e conhecidos de trabalho. Felicite os que foram promovidos, começaram novos projetos ou negócios ou receberam algum reconhecimento.

7. Seja generoso com seu tempo e conhecimento. Compartilhe informações. Ajude os que estão atrás de você a avançar. Quem sabe, além de aquecer seu coração, eles possam retribuir o favor algum dia.

(Tradução de "Second-Stage Mentoring" by Adele Scheele)

Ilusão de Óptica 6 - Ascendente

Mais uma ilusão de óptica do Escher. A escada somente sobe? Acompanhe os degraus.
Clique duas vezes para ampliar.

domingo, 3 de junho de 2007

Estratégia de sobrevivência

Dois amigos andavam pela floresta atrás de caça quando apareceu um leão. Saíram em disparada, mas um deles comentou:

- Olha, ele já está chegando. Que adianta correr? Nós nunca vamos correr mais do que um leão esfomeado.

- Bem, da minha parte, eu não preciso correr mais do que ele; só preciso correr mais do que você!



EGOÍSMO

Quando uma pessoa coloca seus interesses, desejos ou necessidades em primeiro lugar, em detrimento das demais pessoas, chamamos essa atitude de egoísmo.

Os teóricos ficam discutindo se ele é deliberado ou inconsciente, se é inato ou se vamos adquirindo ou perdendo essa característica ao longo da vida. Também há quem o julgue como bom, porque ele propulsiona o progresso, argumentando que, se cada um pensasse apenas no bem coletivo, tudo ficaria estagnado. O egoísmo grupal, nesse sentido, seria a base da economia de mercado e a empresa que não o praticasse desapareceria sob as garras da concorrência.

Aí vem a historinha do leão. O final é aquele mesmo, com o suspense de uma resposta inteligente do amigo mais esperto, que nos faz sorrir. Poderíamos pensar no desfecho. O mais evidente seria com o leão saciando-se com o caçador desanimado, enquanto o esperto se safa. Ou o leão correria atrás dos dois e no final pegaria o esperto, que acabou correndo menos – essa seria outra possibilidade. Mais uma: os dois amigos juntos conseguiriam encontrar uma saída para o problema, fugindo do leão ou distraindo-o com um artifício, como o de lhe entregar o que haviam caçado antes. Talvez haja outras opções, e cada leitor pode imaginar a que melhor lhe agradar. Mas o assunto do egoísmo ainda fica cutucando a nossa sensibilidade. Pode ser que seja esse mesmo o objetivo da história.

Esteja sempre de bom-humor!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Marcola, o Juízo Final e os oportunistas

A primeira vez que ouvi falar sobre a entrevista do Marcola falando do "juízo final" foi por um executivo que havia recebido e-mail de um colega da Europa. O europeu estava muito, muito agitado com o conteúdo da entrevista. E todos os que tomaram conhecimento também ficaram assim.

Felizmente agora, meses depois, tomamos conhecimento de matéria publicada no Observatório da Imprensa em 27 de junho de 2006 desfazendo toda a fantasia: a matéria foi inventada por um comentarista e, através da internet, ganhou a aparência de realidade, inclusive com formatação de apresentação em PowerPoint. Tudo muito propício às vésperas das eleições.

Transcrevemos abaixo o comentário feito pela Psicanalista Anna Veronica Mautner a respeito.

Pessoal: temos que ter cuidado no encaminhamento de mensagens pela internet. Entre receber e remeter é bom gastar uns minutinhos pensando a respeito.


``ENTREVISTA´´ DE MARCOLA
Onde começa e onde termina o virtual

Por Anna Veronica Mautner em 27/6/2006

Um belo dia, há duas semanas se muito, começou a aparecer entre meus e-mails, vindo de conhecidos e também de conhecidos de conhecidos, um texto de três páginas que continha – segundo o título – uma entrevista realizada por um repórter da Globo, anônimo, com o prisioneiro Marcola.

Confesso que fui tomada por um mecanismo que na psicanálise é chamado "mecanismo de negação". Isto é, apaguei o fato de ter estranhado que uma entrevista tão importante não tivesse o nome do jornalista que a tivesse realizado. Preferi não acreditar nesta minha observação que mais tarde, como veremos, teria tudo a ver.

Li e reli a entrevista. Amei. Entre surpreendida e estonteada, andei dias com o papel na mão. Como eu sou analfabeta em máquinas e não sei usar o "encaminhar", só sei usar o "responder" e o "imprimir" – a corrente parou na minha mão. Outros, mais hábeis que eu, continuaram espalhando a entrevista pelo mundo afora. Conversei até não mais poder a respeito do significado de tão maravilhosa entrevista, de tantas respostas pertinentes e argutas.

Quando já parecia estar passando o efeito, eis que me chega na forma de comunicado: a entrevista chegando às mãos de determinado jornalista, parou. Este esclareceu a uma de minhas amigas da corrente que o tal texto era da lavra de Arnaldo Jabor. Este meu amigo, Jabor, tinha inventado uma entrevista fictícia para sua coluna semanal. As perguntas e as respostas eram da lavra dele.

Criação de diálogos

O que de fato me deixou perplexa, me aturdiu, foi que todo um grupo de brasileiros, urbanos, alfabetizados, nível superior, gente do mundo, gente nada ingênua, tenha aceito que a produção intelectual de Jabor poderia ter sido gerada por Marcola que vive, sempre viveu, em um outro universo onde vigoram outros parâmetros e conceitos. Se fosse de verdade, com certeza teria o nome do entrevistador e ainda teria tido seguimento da imprensa.

Dias depois, encontro pessoalmente com Jabor, que tinha ouvido falar de uma certa entrevista do Marcola que estaria circulando, mas ainda não tinha chegado até ele. Ele confessou que não imaginou que se tratasse de sua própria obra de ficção. E assim se fechou a corrente.

Uma dramaturga disse que poderia ter desconfiado, pois a entrevista era obra de alguém afeito à criação de diálogos. Muita gente, pelo visto, estranhou. Contudo, queríamos todos que fosse verdade.

Por quê? Ainda não tenho resposta.

Ilusão de Óptica 5 - Folhas e Mulher



Nova ilusão de óptica com duas belas imagens que se confundem.