domingo, 10 de junho de 2007

O ateu e o urso

Um ateu estava passeando pelo bosque, admirando tudo o que aquele "acidente da evolução" havia criado. "Que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais!", lá ia ele dizendo consigo próprio. De repente ouviu um ruí­do. Virou-se e viu um enorme urso vindo em sua direção.

Disparou a correr o mais rápido que podia. Olhando para trás, reparou que o urso estava muito próximo e aumentou a velocidade. Olhou, de novo, e o urso estava mais perto ainda. O coração batia freneticamente. Ao tentar correr mais ainda, tropeçou e caiu, rolando no chão. Tentou levantar-se, mas o urso já estava em cima, ameaçando pegá-lo com as patas. Então o ateu clamou:

– Oh, meu Deus!

O tempo parou. O urso ficou sem ação. O bosque mergulhou em silêncio. Até o rio parou de correr. Do céu surgiu uma luz muito forte e através dela uma voz disse:

–Tu sempre negaste a Minha existência, ensinaste a outros que Eu não existia e reduziste a criação a um acidente cósmico. Esperas que Eu te ajude a sair desse apuro? Tu agora tens fé em Mim?

O ateu olhou diretamente para a luz, pensou rápido e disse:

– Seria hipócrita da minha parte pedir que, de repente, Vós passásseis a me tratar como um cristão... Mas, talvez, possais tornar o urso um cristão?!

– Muito bem – disse a voz.

A luz foi embora, o rio voltou a correr e os sons da floresta voltaram. Então o urso recolheu as patas, abaixou a cabeça e falou pausadamente:

– Senhor, abençoai este alimento que vou comer agora. Amém.



COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL


Entre duas pessoas sempre existem características comuns e características diferentes. Parece que de pirraça, mesmo, costumamos nos fixar apenas nas diferenças e não nos pontos comuns. Esta última forma tornaria a comunicação muito mais fácil.

Outro vício da comunicação é a fixação em papéis específicos. Um é o chefe, o outro é o subordinado. Sabemos que todas as pessoas vivem vários papéis – de irmão, sogro, motorista, vizinho, comprador, empregado. Quando nos relacionamos com os outros, assumimos o status de um desses papéis e passamos a tratar a outra pessoa no papel que lhe é complementar. Assim, se eu tratar meu filho como companheiro assistindo a um jogo, ele vai também se comportar como companheiro; e se ele estiver me ensinando como funciona o programa de computador, vamos vivenciar papéis de aluno e professor. Como um desses papéis é predominante, costumamos fixar o relacionamento nesse papel, esquecendo os demais. Por exemplo, se encontrarmos o chefe na praia no domingo, poderemos ter dificuldade de tratá-lo como um simples banhista, pois o que estamos vendo não combina com os papéis em que usualmente nos relacionamos no resto da semana.

Uma terceira dificuldade no relacionamento é a abertura de nós mesmos. Tendemos a manter uma aparência aceitável para esconder o que realmente sentimos. Ainda no exemplo do chefe-subordinado: por auto-proteção não costumamos deixá-lo perceber que não entendemos de um certo assunto ou que temos medo de enfrentar uma situação; e ele, por comodismo, faz de conta que acredita. No final, a pessoa que fingimos ser é que se relaciona com a outra pessoa. No fundo dessa questão está o dilema da dominação: tememos que, se dermos abertura, a outra pessoa nos dominará no relacionamento. Para evitar isso, fugimos da relação. O resultado é fácil prever.

A fábula do urso trata disso: poderíamos evitar muitos problemas através de um relacionamento adequado, independentemente das nossas crenças pessoais.


Esteja sempre de bom-humor!

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